Campanha Municipal Pela Semana do Hip Hop – Lei Municipal 14.485/2007

“Campanha Municipal Pela Semana do Hip Hop – Lei Municipal 14.485/2007”.

Aprovada pela Câmara Municipal desde 2004, o governo Kassab, vem, há dois anos, congelando os recursos para a realização da Semana do Hip Hop, já foram sequestrados 600 mil reais. E para vetar de vez o Hip Hop, transformou a Casa do Hip Hop em Cidade Tiradentes, em Estação Juventude. No dia 07 de julho do ano corrente, foi protocolado um pedido de abertura de Inquérito Civil no Ministério Público/SP. Temos uma Audiência Pública agendada para o dia 20 de agosto de 2010 às 18h e 30 minutos, na Câmara Municipal de Vereadores da Cidade de São Paulo, Palácio Anchieta – Viaduto Jacareí, 100 – Bela Vista – São Paulo.

Hip Hop é Cultura
Muito se tem a falar sobre o que muitos chamam de movimento,
Porem discutimos de forma madura, Hip Hop é Cultura,
Não só entretenimento, para quem pensa assim é só lamentos,
A parada é recheada de sentimento, esta posto o enfrentamento,
E essa discussão é natural, não vamos abraçar as ideias do capital,
Que invade e fragmenta, destrói e não lamenta,
Querem transformar o que é politico em Pop,
Querem tratar os guerreiros como lock’s,
Passou da hora de darmos um choque,
Escrevemos leis e teses de mestrado,
Mobilizamos e conscientizamos opressores, oprimidos e proletários,
Mudados e ressiguinificamos o cenário,
Porem estamos cercados de adversários,
O adverso que também usa o verso,
Que corre no contra senso,
Que da união torce pelo aveso,
E muitas vezes vem do mesmo berço,
Não entende da luta o seu contexto,
Vou pro arrebento, o barato não é ilusão,
Defendo o direito a cultura e boa educação,
Privilegiando a criança e o adolescente do fundão,
Que do Estado é alvo histórico de omissão, avante irmãos,
Hip Hop e seus elementos, juntos a todo momento,
Vamos para p parlamento, acessar as leis de fomento,
Forçar a equidade, cobrar a quem deve a responsabilidade,
Hip Hop na cidade, é lei e o prefeito não libera,
Cometem crimes a vera e a mídia não revela,
O ministério publico não interpela, o barato é a novela,
O ultimo que sair apaga a vela, não é balela tão tirando a favela,
Impedindo o acesso a uma cultura que é dela,
Não podemos ficar na espera, pois ainda vivemos as mazelas,
E o Hip Hop é quem minimiza essas brechas,
Das meninas via conscientização fecha as pernas,
Que a midia e o miami beach agem para deixar abertas,
De forma avida precocemente ficam gravidas,
Isto não esta certo e é horrendo,
Na quebrada da policia continuo correndo e os meninos morrendo,
Estão violando na direta nossos direitos, impondo o silencio,
perpetuando a censura, e a matança cresce de forma nua e crua,
Mobilização esta é a questão, estamos sempre correndo atras do tostão,
Enquanto isso a classe dominante (governantes) só discutem os milhão,
Pregando uma zuada alienação, o meio é a televisão,
O fim, cemitério, prisão ou submissão
É lei e deve ser implementada, de cultural não queremos só a virada,
Queremos a Semana de Cultura Hip Hop regulamentada,
Com a devida rubríca orçamentaria, pois a lei é legitima mas não é legitimada,
Por estes que pensam estar lidando com uma manada,
De coletivos e posse desorganizadas, desarticuladas,
Analfabetizadas em pocilgas que chamam de escolas nas quebradas,
Chega de palhaçada, a prefeitura no M.P. foi representada,
Pelo Fórum do Hip Hop Municipal de São Paulo processada.

Mais um guerreiro subversivo na campanha pela articulação da rede

Meu nome é Eduardo e vou falar, /. Minha Historia começa em 1984 e neste momento não é de se alegrar, /Pois no começo foi uma vitoria, até as violências começarem a me afetar/Ou melhor, dizendo tentar-me desalforriar. Neste ano tive a oportunidade de em uma das melhores escolas de São Paulo ingressar, /Só que logo na seqüencia o destino, mas uma peça conseguiu me pregar, /Meu pai, minha referencia, deste plano terreno decidiu se mandar, /Teve um derrame cerebral fulminante, nos deixou em um pequeno, mas eterno instante/E em um momento especial da minha vida, me fez quase desistir da luta, / Me tirar da ativa, mas existia naquele momento uma mulher, guerreira e companheira/Que em meu auxilio veio para encarar juntos esta luta e bateu de frente com os opressores filhos da puta sem titubear na labuta/Ali percebi que não estava sozinho e que juntos mais esta batalha iríamos encarar/Logo na minha entrada nesta, que deveria ser um espaço de educação e de desenvolvimento cidadão, /Percebi e senti os olhares de reprovação, para um preto, pobre e órfão/Ali no clube/escola da elite da nação, o preconceito o racismo e a discriminação/Eram presentes e latentes na vida daquele ate então adolescente/ Com o passar do tempo as varias violências vividas/Fez com que algumas estratégias fossem definidas/, no intuito de minimizar estas que causavam profundas feridas, /Na falta de conhecimento utilizei a porrada como forma de enfrentamento, /Deixando de lado a dialogicidade, violência gerando violência por falta de entendimento e argumento,/Ações de um grupo extremamente racista me fizeram junto com a minha mãe, companheira e parceira a superar aquelas barbáries doloridas e realistas. /Comecei então a participar e praticar diversas modalidades esportivas/, E em cada uma dessas tinha que provar que era o melhor me desdobrar para ser aceito como um ser humano nem pior nem “menor” / E isto me trouxe mais problemas, pois com o destaque veio à cobrança do sistema, estar ocupando o espaço com o filho do boy, para muito infelizmente dói indecência que requer a devida penitencia/Com tudo, consegui terminar meu primeiro ciclo de estudos, entrou um menino saiu um homem de personalidade e com uma bela bagagem/Em 1988 conheci o Hip Hop vertente político-socio-cultural que me explicitou de forma natural ensinamentos e conhecimentos / Que buscassem acabar ou minimizar o racismo e os preconceitos e dando um salto no tempo para não me alongar nesta historia/depoimento/ Tornei-me educador e luto por uma concepção educativa de cunho libertador e transformador, /Para que outros seres humanos não vivenciem estes momentos de horror. / Tento de varias formas desenvolver momentos de confraternização e educação/Propostas de políticas publicas para e pela conscientização, /Que busquem de forma definitiva o fim da desigualdade e da opressão/, E num desses vieses da vida escrevi um projeto cultural, /Com um recorte bem profundo de cunho político-social,Para o edital Proac da secretaria estadual da cultura e no desenvolvimento desta intervenção conheci uma estudante/Que com muita felicidade me fez a proposta de desenvolver o mesmo projeto em uma universidade, /Que tem no escopo do seu projeto um recorte político-etnico-educacional/Mais voltado para negros e de bate pronto aceitei o convite com um explicito respeito e total contento, /.Neste sentido marcamos uma reunião e quando para a minha surpresa a universidade fica dentro do espaço da opressão, /Onde em 1984 fui extremamente discriminado e empurrado para o entendimento que nasci para ser escravo, o mundo da muitas voltas e ate uma das maiores violências feitas pelo homem cederam ao capitalismo excludente, /Num espaço racista de historia recente, hoje temos uma universidade com 95% dos Descentes Afrodescendentes/Agradeço a minha mãe por ao meu lado sempre estar vivendo estes petardos e que de forma amorosa me mostrou que a justiça existe mesmo que de forma morosa, /Eu amo essa mulher/Obrigado mãe, obrigado Hip Hop /Se pá, se pá posso até chegar / venho no sapatinho para somar, /Transformaaaar, os alicerces abalar / a proposta é simples espaços resiguinificar /.Para os moleques ocupar /Desta forma meu povo enfim pode brindar, brincar, ai que tá / chega de falcatruas, diz que me diz e blá, blá, blá / não podemos mais só mendigar / temos que lutar a / parada agora é ações efetivar / chega de só pontuar, apontar / estamos a quinhentos e tantos anos só discutindo / e pontualmente uma coisa ou outra vai surgindo / emergindo só que rapidamente meu pessoal vai sucumbindo / Enquanto isso cada vez mais cedo / engravidam precocemente as meninas e morrem os meninos / A passos lentos e de forma morosa / a base desarticula, fragmenta / e continuam na ponta da caneta / a vida miserável e sangrenta / é só sacode / e disfarçado de política publica / no meu corpo ainda estrala o chicote / é só boicote, na educação, na saúde, na cultura e no esporte / tá tudo imperfeito / falam de deveres e violam na direta nossos direitos/ de asfalto e chão batido eu trilho o pensamento/ entre vielas e trios escuros irmão entendo o seu sofrimento/ nas mazelas e angustias me fortaleço na composição/ eu escrevo, reflito e planejo a possível transformação/ por mim e pelos meus irmãos/ de pele preta aqui escreve mais um visionário/ suor, sangue e lagrima/  aqui cada um tem o seu calvário/ Pacto de Vida reflete sobre um mundo doente /que sacode o delinqüente/ quem não tem postura treme/ é puta, pó, pm pilantra, oprimido e opressor/ homens e mulheres sem alma que o descaso gerou/ na subida do morro oramos ao Criador/ pelos corpos marcados, rostos moldados pela dor/ por aqueles que de campana na esquina/ vem da peneira fina/ trinca o dente, fumador põe na seda a rima/ famílias em escombros, sonhos em ruínas/ entre as verdades que verdade que o mundo ensina/ Pacto de vida sangra e aqui assina a rima e canta com esperança que vale a pena a vida/ agradecemos o dom uma luz na estrada pr’a  seguir/ os irmãos escutam a idéia e já sabem que o problema tem uma raiz/ Caso babilônia, patrões e porcos banqueiros/ casos de racismo explicito e traiçoeiro/ de fatos, fotos, feitos e desmandos/ fardas que a serviço do satanás segue o comando/ viaturas que violentam de modo vil e sangrento/ violência institucional que silencia os becos/ favela ainda chora e pacto de vida assina o verso/ ao Criador, Paz, Justiça e Liberdade é o que peço/ isto não é heresia, é pura poesia atitude escrita que revoluciona a vida/ subversão tramada, articulada, reinventada, mas não estacionada/ não precisamos de esmolas eles tem que entender/ de droga barata discurso hipócrita para nos entorpecer/ somos fortes, somos a maioria e vamos vencer/ como um lindo soneto, poesia do gueto, loucura que cura, sorriso que mata, cabelo de mola, palavra de preto/ quilombolas atuais, herdeiros reais/ com uma história muito rica/ versos de guerreiros em uma canção coletiva/ alguns doutores e muitos zes, somos aqueles que tem a rebeldia, a energia e a fé/ temos a luz, a beleza e a vida/ e essa luta será vencida/ a labuta não é bela, ainda vivemos as mazelas/ nos morros, nas comunidades, nas favelas/ correndo da polícia que mata o negro, e o pobre civil, infelizmente isto é Brasil/ que favorece ditadores, enganadores, terroristas e guerrilheiros/ Sadam, Bush, Edir Macedo, ACM, Paulo Maluf, PCC e comando vermelho/ Pacto de vida sangra e aqui assina a rima e canta com esperança que vale a pena a vida/ agradecemos o dom uma luz na estrada pr’a  seguir/ os irmãos escutam a idéia e já sabem que o problema tem uma raiz/Que em sua fúria exploratória tenta fazer do mundo um vasto campo para sua ganância, sente glória/ proprietários de tecnologias, fazendo suas mercadorias, capitais percorrendo o mundo com velocidade, você sabe/ trilhões de dólares circulando nos sistemas financeiros/ como uma nuvem de gafanhotos sedentos/ e em todo o globo o zombeteiro vai vivendo/ da especulação, da opressão do roubo, marqueteiro/ globalizando o capitalismo, globalizada a exclusão, poucos vivem bem nesta situação /aos bilhões restantes, a miséria, a fome, nanismo, escravidão/ globalizando o capitalismo, globalizado o caráter desumano, desta forma se matam beltrano e fulano/ temos que globalizar a necessidade de dar um final/ superá-la, de por fim as barbáries modernas/ que prostitui as crianças, colocando-as de pernas abertas/ as mazelas, as favelas tudo faz parte delas barbárie modernas/ racismo, consumismo, individualismo, / males que tiram do homem o amor pela vida sucumbida a premissas/ obituário ou dicionário, estagnação ou subversão/ esta chegando à hora, procure sua melhora/ quem planta vento colhe furacão/ revolução, revolução, revolução, revolução/ fortifique sua ilha, estou falando de informação, através da transformação/ Vivo em uma guerra sem tréguas/ estou farto do lirismo cometido/ estou farto do lirismo que para e vai averiguar/ no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo/ isto não é sermão/ queremos unidade contra a opressão/ avante irmãos, a hora não esta chegando/ a hora é agora, somos a vanguarda/ e temos um norte eleito/ vamos combater a causa e não o efeito/ boa sorte, boa sorte, temos um norte/ HIP-HOP, vamos faça jus/ temos um norte, no fim do túnel um luz/ seu nome JESUS/ os filhos, a falta de recursos/ a necessidade de trabalhar, suar/ pra ganhar o sustento, só lamentos, e o guerreiro?/ tem que depender toda energia, todo dia/ na alegria e também na tristeza, continuar firmeza/ a vida familiar e profissional não pode diminuir a visão revolucionaria/ o MH2R não vai cessar, parar, titubear/ sabemos que é preciso tempo, desprendimento/ e muito talento, sem esquecer do sentimento/ Pacto de vida sangra e aqui assina a rima e canta com esperança que vale a pena a vida/ agradecemos o dom uma luz na estrada pr’a  seguir/ os irmãos escutam a idéia e já sabem que o problema tem uma raiz/